R. João Anastácio Rosa, Lisboa, 2010/05/30segunda-feira, 31 de maio de 2010
A ambulância

A história é curta e conta-se em duas penadas.
Quando cheguei ao Largo do Rossio, em Lisboa, vi logo a ambulância encostada à paragem de autocarros. Parada naquele local, ainda que com as luzes de emergência desligadas, levou-me a pensar que alguém estaria a passar mal por ali. Que estas coisas de se necessitar de ajuda não escolhem nem hora nem local.
Uns bons cinco minutos e um cigarro depois, vejo os tripulantes regressarem. Fardados a rigor da cabeça aos pés, nem ele nem ela transportavam doente, maca, mala de primeiros socorros, um penso rápido que fosse. Aquilo que em deles trazia era, muito prosaicamente, dois sacos de take-away da MacDonalds. Que, pelo volume, vinham bem cheios.
Claro está que bombeiro também tem fome. E, ainda que os prefira ver de boa saúde evitando o fast-food, entendo que a sua juventude os leve a procurar soluções rápidas e baratas.
O que já não entendo, nem aceito, é que se arrojem no direito de estacionarem uma ambulância num local proibido, incomodando motoristas de autocarro e obrigando os passageiros a irem para a faixa de rodagem para conseguirem embarcar.
Se o seu mal era fome e a urgência o comer, bem que poderiam ter feito como todos os restante cidadãos e procurado soluções urbanas e cordatas. Que nem farda nem viatura são consentâneas com abusos e ilegalidades!
Texto e imagem: by me
Quando cheguei ao Largo do Rossio, em Lisboa, vi logo a ambulância encostada à paragem de autocarros. Parada naquele local, ainda que com as luzes de emergência desligadas, levou-me a pensar que alguém estaria a passar mal por ali. Que estas coisas de se necessitar de ajuda não escolhem nem hora nem local.
Uns bons cinco minutos e um cigarro depois, vejo os tripulantes regressarem. Fardados a rigor da cabeça aos pés, nem ele nem ela transportavam doente, maca, mala de primeiros socorros, um penso rápido que fosse. Aquilo que em deles trazia era, muito prosaicamente, dois sacos de take-away da MacDonalds. Que, pelo volume, vinham bem cheios.
Claro está que bombeiro também tem fome. E, ainda que os prefira ver de boa saúde evitando o fast-food, entendo que a sua juventude os leve a procurar soluções rápidas e baratas.
O que já não entendo, nem aceito, é que se arrojem no direito de estacionarem uma ambulância num local proibido, incomodando motoristas de autocarro e obrigando os passageiros a irem para a faixa de rodagem para conseguirem embarcar.
Se o seu mal era fome e a urgência o comer, bem que poderiam ter feito como todos os restante cidadãos e procurado soluções urbanas e cordatas. Que nem farda nem viatura são consentâneas com abusos e ilegalidades!
Texto e imagem: by me
domingo, 23 de maio de 2010
quinta-feira, 20 de maio de 2010
Blufs

A tarde estava quente. Bem quente, comparada com a semana anterior.
Quando saí da estação de comboios e me vi sob aquele sol abrasador, a minha vontade foi correr para o outro lado da rua, onde a sombra protectora me aguardava. No entanto…
No entanto, bem centrado sobre a passadeira de peões que eu haveria de usar, estava um automóvel. Estrategicamente estacionado, já que ali a sombra também o protegia. Ao carro e ao seu ocupante que, sentado ao volante e com o motor desligado, se entretinha escrever não sei o quê nuns papeis que apoiava onde deveria estar o airbag. Saltou-me a tampa!
Estava onde não deveria estar, ainda que houve espaço livre atrás, e, ainda por cima, bem no caminho que eu queria percorrer e rapidamente. Não resisti!
Percorri a parte da passadeira de peões livre até quase embater na porta do carro. Com ar de poucos amigos, levei a minha mão direita à pala do boné, numa continência displicente, e atirei-lhe:
“Boa tarde! Não se importa de retirar o seu carro para eu passar?”
Olhou para mim como se eu fosse a encarnação do dragão de São Jorge, ou semelhante. Com o olhar esgalgado e um sorriso amarelo, disse-me:
“Com certeza!”
Ligou o motor e fez marcha-atrás, para onde havia lugar que bastasse para estacionar sem ocupar o que me era devido.
Percorri o que restava da passadeira, refugiei-me na sombra do prédio, atirei-lhe com nova saudação pseudo-militar e continuei o meu caminho.
Não vi o que fez de seguida, mas não creio que, tão cedo, se lembre de estacionar numa passadeira de peões.
Na imagem, naturalmente, não está nem a passadeira nem o carro em questão.
O que ali se pode ver é mesmo aquilo que gosto de ver e usufruir: uma passadeira de peões, livre de obstáculos e tão segura quanto pode ser.
Texto e imagem: by me
Quando saí da estação de comboios e me vi sob aquele sol abrasador, a minha vontade foi correr para o outro lado da rua, onde a sombra protectora me aguardava. No entanto…
No entanto, bem centrado sobre a passadeira de peões que eu haveria de usar, estava um automóvel. Estrategicamente estacionado, já que ali a sombra também o protegia. Ao carro e ao seu ocupante que, sentado ao volante e com o motor desligado, se entretinha escrever não sei o quê nuns papeis que apoiava onde deveria estar o airbag. Saltou-me a tampa!
Estava onde não deveria estar, ainda que houve espaço livre atrás, e, ainda por cima, bem no caminho que eu queria percorrer e rapidamente. Não resisti!
Percorri a parte da passadeira de peões livre até quase embater na porta do carro. Com ar de poucos amigos, levei a minha mão direita à pala do boné, numa continência displicente, e atirei-lhe:
“Boa tarde! Não se importa de retirar o seu carro para eu passar?”
Olhou para mim como se eu fosse a encarnação do dragão de São Jorge, ou semelhante. Com o olhar esgalgado e um sorriso amarelo, disse-me:
“Com certeza!”
Ligou o motor e fez marcha-atrás, para onde havia lugar que bastasse para estacionar sem ocupar o que me era devido.
Percorri o que restava da passadeira, refugiei-me na sombra do prédio, atirei-lhe com nova saudação pseudo-militar e continuei o meu caminho.
Não vi o que fez de seguida, mas não creio que, tão cedo, se lembre de estacionar numa passadeira de peões.
Na imagem, naturalmente, não está nem a passadeira nem o carro em questão.
O que ali se pode ver é mesmo aquilo que gosto de ver e usufruir: uma passadeira de peões, livre de obstáculos e tão segura quanto pode ser.
Texto e imagem: by me
sexta-feira, 9 de abril de 2010
O António do 44-42-PG

O episódio aconteceu rapidamente e com a naturalidade de uma consciência tranquila.
Atravessou o corredor de “BUS” na diagonal, em plena praça do Rossio, obrigando um autocarro a travar.
Subiu o passeio bem no meio dos semáforos de peões, levando a que quem ali estava à espera de poder avançar, se desviasse.
Percorreu o largo passeio, pejado de transeuntes, mesmo ao lado da Pastelaria Suissa entrou na Rua do Amparo. Os que ali estavam, vendedores de cautelas, plastificadores de documentos, passantes habituais e ocasionais, bem tiveram que se desviar. Aqueles que estavam de costas para o automóvel deram o respectivo salto para o lado quando avisados por aqueles que vinham de frente. O que não espanta, já que toda esta rua, quase tão comprida como larga, é reservada ao trânsito pedonal.
Entrou na Praça da Figueira, sempre em cima do passeio e afastando quem ali caminhava.
Cruzou o lajedo, mesmo ao lado da boca do metro, e foi imobilizar-se onde se vê na imagem.
Sendo que fui um dos que foi obrigado a desviar-se, apesar do reservado do local, fiquei pocesso!
Dirigi-me à viatura, aguardei que o seu condutor saísse e perguntei-lhe pelo primeiro nome. Ainda que surpreso, lá mo disse: “António”.
E continuei agradecendo, dizendo-lhe que gosto de saber o nome de quem me incomoda seriamente, como fora o caso.
Mas, e para não ficar por ali, e aproveitando ele estar de boca aberta, sempre lhe perguntei se não tinha vergonha do que tinha feito aos peões que ali estavam, se não teria já idade para ter juízo (ultrapassava largamente os sessenta anos), e se pensava que a cidade era só dele.
Respondeu-me que sim senhor, que tinha vergonha, que estava arrependido e se eu já teria acabado que ele estava com pressa.
Consegui manter a compostura e não deixar sair os impropérios que teimavam em bailar-me na ponta da língua. Afastei-me e tentei perceber o que se passava. Que, afinal, era simples: Entrou ele na Suissa, encostou no balcão e tomou um café. Minutos depois saiu, pediu a um carro que ali estava para se afastar e seguiu à sua vida.
Posso garantir que tanto o carro quanto o seu condutor, o António, se afastaram sem que eu lhes tocasse!
Atravessou o corredor de “BUS” na diagonal, em plena praça do Rossio, obrigando um autocarro a travar.
Subiu o passeio bem no meio dos semáforos de peões, levando a que quem ali estava à espera de poder avançar, se desviasse.
Percorreu o largo passeio, pejado de transeuntes, mesmo ao lado da Pastelaria Suissa entrou na Rua do Amparo. Os que ali estavam, vendedores de cautelas, plastificadores de documentos, passantes habituais e ocasionais, bem tiveram que se desviar. Aqueles que estavam de costas para o automóvel deram o respectivo salto para o lado quando avisados por aqueles que vinham de frente. O que não espanta, já que toda esta rua, quase tão comprida como larga, é reservada ao trânsito pedonal.
Entrou na Praça da Figueira, sempre em cima do passeio e afastando quem ali caminhava.
Cruzou o lajedo, mesmo ao lado da boca do metro, e foi imobilizar-se onde se vê na imagem.
Sendo que fui um dos que foi obrigado a desviar-se, apesar do reservado do local, fiquei pocesso!
Dirigi-me à viatura, aguardei que o seu condutor saísse e perguntei-lhe pelo primeiro nome. Ainda que surpreso, lá mo disse: “António”.
E continuei agradecendo, dizendo-lhe que gosto de saber o nome de quem me incomoda seriamente, como fora o caso.
Mas, e para não ficar por ali, e aproveitando ele estar de boca aberta, sempre lhe perguntei se não tinha vergonha do que tinha feito aos peões que ali estavam, se não teria já idade para ter juízo (ultrapassava largamente os sessenta anos), e se pensava que a cidade era só dele.
Respondeu-me que sim senhor, que tinha vergonha, que estava arrependido e se eu já teria acabado que ele estava com pressa.
Consegui manter a compostura e não deixar sair os impropérios que teimavam em bailar-me na ponta da língua. Afastei-me e tentei perceber o que se passava. Que, afinal, era simples: Entrou ele na Suissa, encostou no balcão e tomou um café. Minutos depois saiu, pediu a um carro que ali estava para se afastar e seguiu à sua vida.
Posso garantir que tanto o carro quanto o seu condutor, o António, se afastaram sem que eu lhes tocasse!
Texto e imagem: by me
domingo, 4 de abril de 2010
segunda-feira, 22 de março de 2010
Desculpem o incómodo

Esta imagem foi feita em Barcelona.
Durante uma semana estive por lá, fazendo de turista e vendo museus e exposições. Mas, e principalmente, tendo o prazer de estar numa cidade civilizada!
É verdade que Barcelona, devido à geografia do terreno, bem como à gestão urbanística executada ao longo dos tempos, possui passeios bem largos. Grandes quanto baste para albergar incontáveis automóveis, deixando as vias livres para a circulação. No entanto…
No entanto isso não se vê. Em parte alguma!
Os passeios existem para os cidadãos andarem, passearem, estarem. Para os automóveis existem as faixas de rodagem e os estacionamentos apropriados. Que, por aqui, as coisas não se confundem.
Claro que, por vezes, os espaços pedonais são ocupados. Por obras, por exemplo. Mas estas são, como no exemplo, vedadas, circunscritas à menor área possível, impossíveis de criarem acidentes e deixando sempre espaço suficiente para que os cidadãos usufruam do que é seu: espaço.
Mais ainda: os resíduos, o entulho, a terra retirada de buracos abertos, não ficam ao deus dará, espalhando-se pelas áreas pedonais ou automóveis! Contentores, metálicos ou de tecido, são estrategicamente colocados nos locais de intervenção, enchidos com o entulho e retirados mal se encontram cheios. E o chão, em redor da obra, criteriosamente limpo por quem nele trabalha.
Acrescente-se que, ainda que de pouco adiante, são acrescentados cartazes como este, onde se pede desculpa pelo incómodo causado. Ainda que o incómodo seja como se vê.
Nota extra: vi um único automóvel mal estacionado. Na faixa de rodagem, à esquerda, encostado ao passeio e com os quatro piscas ligados. Pareceria estar em Portugal, não fora…
Não fora ter-me deixado ficar por ali por uns vinte minutos, para saber quem tinha tal feito. E a viatura só não foi multada por três vezes, porque uma bastava. Depois da primeira patrulha, um motociclista, a ter multado, duas outras pararam nesse local e tempo com o mesmo intuito. E vendo que já lá estava o respectivo papelinho, seguiram em frente. Em vinte minutos três patrulhas param perante a ilegalidade!
Nem sei porque se espantam de eu desejar aqui viver!
Texto e imagem: by me
Durante uma semana estive por lá, fazendo de turista e vendo museus e exposições. Mas, e principalmente, tendo o prazer de estar numa cidade civilizada!
É verdade que Barcelona, devido à geografia do terreno, bem como à gestão urbanística executada ao longo dos tempos, possui passeios bem largos. Grandes quanto baste para albergar incontáveis automóveis, deixando as vias livres para a circulação. No entanto…
No entanto isso não se vê. Em parte alguma!
Os passeios existem para os cidadãos andarem, passearem, estarem. Para os automóveis existem as faixas de rodagem e os estacionamentos apropriados. Que, por aqui, as coisas não se confundem.
Claro que, por vezes, os espaços pedonais são ocupados. Por obras, por exemplo. Mas estas são, como no exemplo, vedadas, circunscritas à menor área possível, impossíveis de criarem acidentes e deixando sempre espaço suficiente para que os cidadãos usufruam do que é seu: espaço.
Mais ainda: os resíduos, o entulho, a terra retirada de buracos abertos, não ficam ao deus dará, espalhando-se pelas áreas pedonais ou automóveis! Contentores, metálicos ou de tecido, são estrategicamente colocados nos locais de intervenção, enchidos com o entulho e retirados mal se encontram cheios. E o chão, em redor da obra, criteriosamente limpo por quem nele trabalha.
Acrescente-se que, ainda que de pouco adiante, são acrescentados cartazes como este, onde se pede desculpa pelo incómodo causado. Ainda que o incómodo seja como se vê.
Nota extra: vi um único automóvel mal estacionado. Na faixa de rodagem, à esquerda, encostado ao passeio e com os quatro piscas ligados. Pareceria estar em Portugal, não fora…
Não fora ter-me deixado ficar por ali por uns vinte minutos, para saber quem tinha tal feito. E a viatura só não foi multada por três vezes, porque uma bastava. Depois da primeira patrulha, um motociclista, a ter multado, duas outras pararam nesse local e tempo com o mesmo intuito. E vendo que já lá estava o respectivo papelinho, seguiram em frente. Em vinte minutos três patrulhas param perante a ilegalidade!
Nem sei porque se espantam de eu desejar aqui viver!
Texto e imagem: by me
quarta-feira, 10 de março de 2010
Assinar:
Postagens (Atom)













































